Lembro-me do tempo em que não estavas aqui,
quando tudo era calmo e éramos os 3 felizes, sem ti.
Lembro-me de chegar da escola e ter alguém à espera
para me ajudar nos trabalhos de casa, mas não eras tu.
Lembro-me dos fins de tarde a jogar à bola,
com alguém que me criou como um filho, que não eras tu.
Lembro-me do meu primeiro passeio de bicicleta no jardim,
onde caí mas me levantei, sem a tua ajuda, porque não estavas lá.
Lembro-me de uma infinidade de coisas que me definem como sou hoje,
nas quais tu não participaste.
E agora chegaste, como quem quer recuperar algo que nunca teve, e nunca vai ter.
E por isso, agora lembro-me das idas para o quarto que duravam tardes inteiras, só para não ter de te ver,
e da raiva e do ódio, e dos murros nas paredes, e da vontade de crescer só para te afrontar.
'' Para já ainda vale a pena enfrentar-te, mas espero chegar ao dia em que não vou ter vontade de sequer me rir de ti, de ter pena, ou de querer tê-la até.''